Surgery As A Service

O futuro da prestação de serviço hospitalar

O Mundo Está Mudando! – Começo minhas aulas assim.

Logo depois cito uma enxurrada de clichês da inovação que são de ótima didática para ilustrar o óbvio. De clichê em clichê eu entro saúde adentro e fico perguntando-me como convencer meu rebanho que nenhuma área está imune ao impacto. Principalmente a nossa.

Esse ponto de vista no geral não é tão óbvio. Na saúde, a complexidade, regulamentação, academia, atraso de mindset e uma série de outros fatores nos faz presas fáceis desse monstro chamado disruptura. Geoffrey Hinton, por exemplo, declara abertamente que “nós devemos parar de formar radiologistas imediatamente!”, pois segundo ele as máquinas comparando padrões de imagem pixel-a-pixel e com apoio da Inteligência Artificial fazem cair drasticamente o número de especialistas necessários para a demanda do mercado.

Tentando construir esse link, começo a imaginar que primeiro nós devemos olhar para si próprios. Para a nossa experiência no dia a dia com serviços e tecnologia, e o quanto ela nos encanta ou afasta. Depois entender que essa percepção de valor se disseminou, e todo o indivíduo requer atenção e encantamento da mesma maneira quando falamos de tecnologia.

Assim são feitos os bons softwares, apps, plataformas. Eles são bem pensadas para nos encantar, muito além de entregar aquele mínimo que esperemos que entregue.

Agora transfira isso para a saúde. Difícil? Eu vou ajudar passo a passo:
Primeiro visualize que o seu paciente chega até você com essa mesma expectativa de encantamento que ele tem todo o dia em altas doses direto de seu smartphone ou em outro device.

Segundo, admita que o que balisa nossa atividade, como qualquer outra, é o mercado. Você se compromete com boas práticas, evidências, ética, regras, etc; mas orbitamos em torno de uma equação envolvendo produtividade e financiamento.

Junte os pontos realizando que o que constrói o mercado são os clientes.
Com o paciente no centro do processo, cada player tem sua dose de compromisso com esse encantamento sine qua non. Clientes conectados e empoderados – outro clichê – alimentam o mercado onde prestamos serviço.

Agora podemos iluminar a questão corretamente! Nesse mercado onde 52% dos pacientes internados em uma instituição hospitalar são cirúrgicos, a média de cirurgia por paciente hospitalizado chega a 1,4, e o centro cirúrgico é um complexo centro de rendimento de resultados imediatos; podemos nos dar a liberdade poética que daqui para frente, nós profissionais da saúde, também seremos SAAS, como Surgery As A Service. E isso no nível exigido para alcançar nada menos que o encantamento do cliente (bota nessa conta fonte pagadora, prestador, governo e todo o tipo de cliente).

Tomara que alcancemos essa excelência em assistência começando por incrementar a segurança do paciente!
Segundo a Fundação para a Segurança do Paciente, cerca de 50 brasileiros morrem por hora devido a erros na assistência à saúde, e isso precisa mudar. Você precisa de mais algum motivo para começar a inovar?

Exercitando essa ótica do SAAS, alguns podem perguntar se nós profissionais de saúde então somos o equivalente a desenvolvedores de software?

Alguns sim… Mas anestesistas são designers. Designers de conforto e segurança. Designers de despertar. Só precisam documentar isso melhor.

A gente chega lá! 😉

#Anestech #AxReg #Eretz #MIDITEC #ACATE