Anestesiologia e Economia Hospitalar

Durante todo o período perioperatório, a anestesiologia possui um espaço e valor significativo, tendo em vista a sua importância no impacto econômico hospitalar, devido às ações e fatores relacionados como: tempo de permanência hospitalar ao longo do processo cirúrgico; intercorrências e complicações durante o período intra e pós-operatório; gastos com fármacos, OPMEs, equipamentos, aparelhos e insumos; exames pré-operatórios, preparação e indução pré-anestésica; tempo do profissional anestesiologista em sala cirúrgica; preenchimento e completude do prontuário ao longo do procedimento, entre outros indicadores.

Para isso é importante relacionar a assistência anestésica com os impactos dos custos hospitalares, para que de forma preventiva, institua-se ações que estejam diretas ou indiretamente interligadas a prática profissional, evitando gastos com geração de custos extras, além de preservar e impactar na segurança do paciente.

Em se tratando de segurança, a Avaliação Pré-Anestésica (APA) é um processo de avaliação clínica que antecede os cuidados fundamentais à execução do procedimento cirúrgico. Entre uma das suas vantagens está a redução da morbidade e o aumento da qualidade da atividade anestésico-cirúrgica. Destaca-se também a relevância de se executar a avaliação em data prévia à intervenção cirúrgica, pois promove diminuição da ansiedade do paciente; menor índice de suspensão de cirurgias; diminuição de custos relacionados a exames complementares solicitados e consultas especializadas durante o pré-operatório. Diante destes fatores, especificamente, o pedido exacerbado de exames complementares tornou-se uma conduta universal e padronizada, gerando custos e gastos desnecessários para toda a cadeia. A exemplo, cita-se estudos internacionais que revelam o aumento e dados estatísticos que confirmam os custos do preparo pré-operatório realizado pelo cirurgião, em comparação com os custos considerados através da APA. Dado o preparo pré-operatório realizado pelo anestesiologia resulta em significativa economia hospitalar, avaliada em 50% dos gastos com exames e 25% dos custos globais associados a este preparo. Em valores reais e orçamentários, o valor médio do custo total por paciente realizado pelo cirurgião foi de R$ 70,29. Em contrapartida no preparo pelos anestesiologistas, foi de R$ 52,63.

Veja um banco de dados das diferenças de custos detalhados a cada exame complementar solicitado entre cada consulta do cirurgião e do anestesiologista, e obtenha a análise completa e estatística destas informações.

Ainda que este seja um dos multiplicáveis fatores relacionados à prática anestésica, visto o impacto que possuem economia institucional e a longo prazo no sistema de saúde, há um enorme interesse entre governantes e administradores hospitalares nessa perspectiva. A prática pré-operatória é vista como alvo potencial para diminuição de custos, especificamente a realização destes exames complementares. Desta forma a finalidade é certificar a realização dos exames necessários e adequados na individualidade do caso, evitando os desnecessários, sendo que esta redução está respaldada e responsabilizada pelo profissional anestesiologista.

Sendo assim, a incidência de métodos apropriados na estratificação de risco dos pacientes cirúrgicos voltados para a segurança do paciente, sustenta o desenvolvimento de otimização pré-operatória com boa relação custo-benefício. Medidas clínicas e baseadas em processos específicos podem ser aplicadas ao desenvolvimento de pacotes de cuidados perioperatórios individualizados. Ademais, compreende-se a conectividade das ações dos anestesiologistas para redução de custos no orçamento hospitalar, sendo indispensável a revisão minuciosa de cada fator, no intuito de estabelecer um cuidado individualizado.

REFERÊNCIAS

ESCALHÃO, F. Revisão Bibliográfica: Impacto do Anestesiologista na Redução de Custos Hospitalares. 2017.

ISSA, M. R. N.; ISONI, N. F. C.; SOARES, A. M.; FERNANDES, M. L.. Avaliação pré-anestésica e redução dos custos do preparo pré-operatório. Rev. Bras. Anestesiol. [online]. v.61, n.1, pp:65-71, 2011.

GOLEMBIEWSKI, J.; PHARM, D. Considerações econômicas no uso de agentes anestésicos inalatórios. Revista Americana de Farmácia do Sistema de Saúde. v.67, ed.8, sup.4, abr, 2010.

SNOWDEN C.; ANDERSON H. Otimização pré-operatória: lógica e processo é senso econômico? Opinião atual em Anestesiologia. v.25, n.2, pp: 210-216, abr. 2012.


Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.

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