DIA DE COMBATE À INFECÇÃO HOSPITALAR



Acontece no dia 15 de maio o Dia Nacional do Controle das Infecções Hospitalares. Instituído pelo Ministério da Saúde (MS) em 23 de junho de 2008, a data objetiva conscientizar, prevenir e reduzir os números de casos desse tipo de infecção no país. Mais de 45 mil brasileiros morrem anualmente em função das Infecções Hospitalares (IH) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) acredita que esse índice possa  chegar até 100 mil anualmente (Fonte: Associação Médica Brasileira).

Em 2004, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou um programa com 106 áreas de atuação, nomeado de Aliança Mundial para a Segurança do Paciente que visa despertar o comprometimento político para aprimorar a segurança na assistência, além de apoiar os Estados-Membros no desenvolvimento de políticas e práticas para segurança do paciente. Para que isso aconteça, são desenvolvidos programas a cada dois anos, chamados de Desafios Globais para a Segurança do Paciente que fomentam o comprometimento global e destacam temas correlacionados e direcionados para as áreas de risco identificadas como significativas em todos os Estados Membros da OMS. O primeiro desafio global enfocou as infecções relacionadas com a assistência à saúde, e o segundo voltou-se para os fundamentos e práticas da segurança cirúrgica (ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2009).

Infecção Hospitalar é definida como aquela adquirida após a admissão do paciente na instituição de saúde, manifestada durante este período ou:

  • Após alta hospitalar quando relacionada a internação, a procedimentos hospitalares em um período de 48 horas;
  • Após a alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI);
  • 30 dias após cirurgias sem próteses;
  • E até um ano para cirurgias com próteses (BRASIL, 1998).

As infecções são as complicações mais frequentes do paciente cirúrgico e são caracterizadas como hospitalares quando decorrentes de cirurgias ou de procedimentos invasivos intra-hospitalares, causadas por bactérias comunitárias que colonizam as superfícies cutaneomucosas dos pacientes. Alguns elementos, como a esterilização dos materiais, o número de pessoas na sala cirúrgica e a experiência da equipe são responsáveis pelo aumento da taxa de IH (AVILA et al., 2010; CARNEIRO et al., 2013; CUNHA et al., 2011).

Associados a estes fatores, alguns critérios contribuem para a realização de procedimentos cirúrgicos com menor risco e maior segurança no controle das infecções cirúrgicas, tais como: a relação do hospedeiro com o microrganismo; o ambiente cirúrgico melhor equipado; sala de material de limpeza; sala para armazenamento dos equipamentos e material esterilizado; lavabos; sala de recuperação pós-anestésica; depósito de gases medicinais; sala de preparo anestésico e sala de indução anestésica (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2002).

Além disso, é necessário manter o ambiente cirúrgico seguro com material tecnologicamente avançado, utilização de ferramentas que auxiliam no registro digital, especificamente o anestésico para análise da antibioticoprofilaxia cirúrgica a partir prontuário, desenvolvimento de procedimentos menos invasivos como as videocirurgias, melhor qualidade da limpeza e desinfecção das salas cirúrgicas, uso de antissépticos mais potentes e emprego racional de antibióticos em cirurgias. Aliado a estes cuidados, o planejamento e o cumprimento das ações cirúrgicas e anestésicas, a utilização de estratégias preventivas e controle de dados cirúrgicos, contribuem para o controle e redução das infecções (ERCOLE et al., 2011).

A qualidade dos serviços de saúde visa à diminuição e o controle de riscos nas quais o paciente será submetido. Desse modo, um conjunto de ações complementares, tanto de gestão e gerenciamento, quanto de regulamentação é primordial para identificar precocemente a ocorrência de fatos e eventos que prejudicam a segurança do paciente, reduzindo os danos e evitando riscos futuros. Novas práticas estão emergindo para enfatizar a necessidade da atualização e capacitação dos profissionais, com o objetivo de mensurar e analisar registros para reduzir a ocorrência de danos e dos Eventos Adversos (EA). O uso de ferramentas e plataformas digitais promove a implementação de condutas fundamentadas em evidências (AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA, 2011).

As infecções estão intimamente relacionadas com a qualidade da assistência prestada e a visão da equipe multiprofissional está voltada para a busca por estratégias e intervenções para evitarem estas complicações. Além disso, com o registro anestésico, por exemplo, é possível identificar ações e estratégias para o controle da IH, pois viabilizam o uso de materiais tecnológicos adequados, corroborando para redução das taxas destas formas de infecção (MARTINS, 2015).

A vigilância epidemiológica das IH é a observação ativa, sistemática e contínua de sua ocorrência e de sua distribuição entre pacientes e dos eventos e condições que afetam o risco de seu acontecimento, com vistas à execução cabível das ações de prevenção e controle. O Sistema Nacional de Vigilância de Infecções Hospitalares (NNIS) foi organizado nos Estados Unidos em 1970 e foi adaptado à realidade brasileira em 1993. Desde então este processo vem sendo implementado no controle das infecções. Para NNIS, as IH são classificadas em infecção do sistema urinário, respiratório, vascular e ISC, sendo este último correspondente a 20% das infecções (BRASIL, 1998; NATIONAL NOSOCOMIAL INFECTIONS SURVEILLANCE SYSTEM, 2004).

Atualmente no Brasil e no mundo a IH é considerada um problema grave e crescente, tanto na sua incidência, quanto pela sua complexidade, o que gera variadas implicações sociais e econômicas. Nos Estados Unidos da América, em 23 milhões de procedimentos anuais, cerca de 920 milhões de pacientes desenvolvem ISC. Quando ocorrem óbitos dos pacientes cirúrgicos, 77% destes estão relacionados à infecção (FEITOSA et al., 2014).

O programa de controle de infecção é fundamental na redução da mortalidade, da morbidade e dos custos hospitalares que contemplam todas as fases do processo de atendimento ao paciente. Vale ressaltar que o ponto chave das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) é ser uma equipe multidisciplinar que exige a colaboração de todos os profissionais da saúde.

REFERÊNCIAS:

Estudo desenvolvido com base na dissertação:
MARTINS, Tatiana. Fatores de risco associados à infecção do sítio cirúrgico em pacientes submetidos a cirurgias potencialmente contaminadas: subsídios para a segurança do paciente. 2015. 233p. Dissertação – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Departamento de Normas Técnicas. Resolução da Diretoria Colegiada nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília (DF), 2002. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2002/50_02rdc.pdf>.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Boletim Informativo- segurança do paciente e qualidade em serviços de saúde. Brasília, jan-jul de 2011. Disponível em: <http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/f72c20804863a1d88cc88d2bd5 b3ccf0/BOLETIM+I.PDF?MOD=AJPERES>.

AVILA, C. E. F.; et al. Relato de caso: Infecção do sítio cirúrgico após cirurgia de Whipple. Com. Ciências Saúde. v. 20, n. 3, pp. 253-60, 2010. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/relato_caso_infeccao_sitio.pdf>. Acesso em: 28 maio 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2616 de 12 de maio de 1998. Brasília (DF), 12 de maio de 1998. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/sau delegis/gm/1998/prt2616_12_05_1998.html>.

CARNEIRO, G. G. B.; et al. Análise bacterioscópica e microbiológica intraoperatória de pacientes submetidos a tratamento cirúrgico de escoliose idiopática do adolescente. Coluna/Columna.; v.12, n.1, pp. 42-4, 2013. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.ph p?script=sci_arttext&pid=S1808-18512013000100009>.

CUNHA, E. R.; et al. Eficácia de três métodos de degermação das mãos utilizando gluconato de clorexidina degermante (GCH 2%). Rev Esc Enferm USP. 2011., v. 45, n.6, pp.1440-45. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0080-623420110006 00023&script=sci_arttext>.

ERCOLE, F. F.; et al. Surgical Site Infection in Patients Submitted to Orthopedic Surgery: The NNIS Risk Index and Risk Prediction. Rev. Latino-Am. Enfermagem., v. 19, n. 2, pp. 269-76, 2011. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/rlae/v19n2/07.pdf>.

FEITOSA, R. G. F.; et al. Análise da incidência de infecção do sítio cirúrgico em cirurgias oncológicas do aparelho digestivo no Hospital Geral de Fortaleza. Medicina (Ribeirão Preto).; v. 47, n. 2, pp. 157-64, 2014. Disponível em: <file:///C:/Users/Tati/Downloads/84567-118269-1-SM.pdf>.

NATIONAL NOSOCOMIAL INFECTIONS SURVEILLANCE SYSTEM. National Nosocomial Infections Surveillance (NNIS) System Report, data summary from January 1992 through June 2004, issued October 2004. Am J Infect Control., v. 32, pp. 470-85, 2004. Disponível em: <http://www.cdc.gov/nhsn/pdfs/datastat/nnis_2004.pdf>.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Segundo desafio global para a segurança do paciente: Manual – cirurgias seguras salvam vidas (orientações para cirurgia segura da OMS)/Organização Mundial da Saúde. Rio de Janeiro: Organização Pan-Americana da Saúde. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária, 2009.


Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.

           
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