Dia Internacional da Segurança do Paciente

A Segurança do Paciente é fundamental em todas as etapas da assistência ao paciente e acreditamos que a tecnologia pode aprimorar esta segurança.

Nesta data especial convidamos a enfermeira Maria Helena Aoki Nepote, que possui ampla experiência em Gestão de Qualidade e Risco no perioperatório, para uma troca de ideias sobre esta temática.

Anestech: Para você, quando falamos em segurança do paciente, o que é mais relevante e importante para a assistência profissional?
Maria Helena: Segurança do paciente é sinônimo de qualidade da assistência. Não se fala em qualidade sem mencionar a segurança, acrescida a um tratamento qualificado e humanizado; devemos assistir o paciente como um ser holístico. Parte-se da premissa, que o paciente deve sair sem danos e consequentemente sem evento adverso após a alta hospitalar. 

Anestech: Qual a importância da TI em relação a segurança do paciente?
Maria Helena: Historicamente existiam dúvidas e insegurança no registro dos dados digitais. Atualmente a lei ampara esse registro, pois permite maior controle e rastreabilidade dos dados. Houve mudanças de paradigmas e a TI traz a garantia da informação, viabiliza a criação de barreiras para prevenção de incidentes indesejáveis, fornecem segurança na prescrição, entre outros, gerando conforto e comodidade. 
A TI veio sobretudo, para agregar segurança ao atendimento, pois o apoio da inteligência artificial assegurou mais fidedignidade, precisão e rapidez na disponibilidade das informações. Proporcionou inclusive, mais tempo para se dedicar à uma assistência mais humanizada.

Anestech: Qual o impacto do registro de dados do paciente como banco de dados para o paciente? Qual o impacto na assistência ao paciente?
Maria Helena: Para o paciente viabiliza uma continuidade da assistência e seu histórico de dados fornece agilidade ao processo. Permite também e, brilhantemente, a realização de pesquisas científicas, já que seu banco de dados viabiliza as análises; impactando positivamente nos ciclos de melhorias da assistência; além de possibilitar medições e cálculos; garantir a uniformidade da coleta, armazenamento e rastreabilidade de dados, assegurando a veracidade das informações.

Anestech: Para a instituição hospitalar, qual a importância do registro de dados do paciente?
Maria Helena: Para a sustentabilidade das instituições hospitalares permite cobranças mais fidedignas, evita desperdício tanto de tempo, quanto de mão de obra e de insumos hospitalares.
Salienta-se a importância da qualidade das informações alimentadas pelo profissional, pois, mesmo falando de máquinas e tecnologia, sem dúvida alguma, o ser humano é essencial neste processo! Permite uma rapidez maravilhosa ao acesso de dados, e isto é incrível nos dias atuais! A TI incorporou o hábito de registros eletrônicos, que são essenciais, pois sabemos que palavras “somem no tempo”, não fornecem nenhum respaldo legal. 

Anestech: Por que é importante manter a constância dos dados para a análise destes para a gestão hospitalar?
Maria Helena: Para garantir a fidelidade e fidedignidade das informações, viabilizar curvas e análise de dados e, estabelecimento de padrões e protocolos. 

Anestech: O que pode impactar na comunicação interprofissional do registro de dados do paciente
Maria Helena: Permite uma assistência holística, com foco na doença e também no doente e suas necessidades individuais. Possibilita uma continuidade da assistência nas ações específicas de toda a equipe multidisciplinar.

Anestech: Para você qual a relação da segurança do paciente e a qualidade das informações dos indicadores?
Maria Helena: Possibilidade de análise dos dados, tanto no aspecto quantitativo quanto qualitativos. Ressalta-se a importância de imputar corretamente os dados, com uniformidade e precisão. Sem indicadores de desempenho não é possível provar e validar informações. Fornece subsídios para a criação de metas, são importantíssimos nos processos de Acreditação Hospitalar, Gestão de Qualidade e Gerenciamento de Riscos.

Anestech: Como a comunicação da equipe interprofissional pode impactar na segurança e assistência ao paciente?
Maria Helena: A comunicação permeia todo o processo do cuidar. É tão importante que é uma entre as 6 Metas Internacionais do Segurança do Paciente.
Comunicação é uma habilidade e é avaliada no desempenho individual e no coletivo. Salientando que a comunicação envolve a verbal e não verbal, representado pelas relações interpessoais da equipe; comunicação escrita, e, agora incorporada a comunicação eletrônica, tecnológica e digital. Esta última impacta na necessidade de treinamento e capacitação da equipe interprofissional (que também envolve uma comunicação efetiva) sendo especialmente importante quando a mudança envolve conhecimento técnico e que as pessoas não estão familiarizadas com a ideia, o que facilita a adesão ao novo processo.

Anestech: Você acha que existe uma relação direta entre indicadores de acreditação e realização de protocolos com a realidade da assistência medida em dados e análise de performance?
Maria Helena: Os indicadores de desempenho, assistenciais, entre outros embasam a criação de protocolos. Salientando que os Protocolos representam as melhores práticas em saúde: “Você não precisa inventar a roda, se ela já foi inventada”, especialmente se já estudada a efetividade e garantida a segurança da assistência, considerando-se realidades semelhantes. 

Anestech: Como credibilizar a equipe para aderir às metas de segurança do paciente. Você acha que a tecnologia pode auxiliar neste processo?
Maria Helena: A equipe multidisciplinar deve estar comprometida com as Diretrizes estratégicas da instituição, tem que “Rezar o mesmo terço”! Deve haver uma parceria entre instituição e profissional da saúde, pois há uma necessidade bilateral, um depende do outro. 
Trabalhar num ambiente que se preocupa com a segurança, tanto ocupacional quanto assistencial; usar a Tecnologia da Informação como um facilitador, fornece credibilidade e motivação à equipe.
Sabemos que o “novo” sempre gera um temor, isto é esperado! 
É preciso esclarecer, mostrar o quanto a inovação vai impactar no serviço. Metas de segurança é uma realidade, então é necessário se adequar a essa mudança. É imprescindível que o time de profissionais seja comprometido com a instituição que trabalha, tem que “vestir a camisa”. 
Estamos na era da Gestão de Mudanças, cujo enfoque traduz a necessidade constante de adaptações, que impactam na qualidade do serviço, assertividade e sobrevivência das organizações, atualmente orientada pelos Resultados. 
Em um mundo corporativo, cada vez mais competitivo e dinâmico, especialmente na área da Saúde, precisamos incorporar soluções que agreguem valores e façam com que elas se tornem mais sólidas perante mudanças e inovações.

 

Maria Helena foi Coordenadora de Enfermagem do Bloco Cirúrgico por 27 anos na Fundação Centro Médico de Campinas , onde participou ativamente na implantação e certificação dos Programas de Qualidade do CQH e ONA (nível 1, 2 e 3). Possui ampla experiência no Gerenciamento Cirúrgico envolvendo todo o Peri-operatório, com ênfase em Gestão de Qualidade; Gestão de Risco; Gestão e Mapeamento de processos; Gestão de pessoas com ênfase na capacitação técnica na área cirúrgica e Auditoria de gastos e pacotes cirúrgicos.


Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.

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