Indicadores de boas práticas e segurança do paciente

Um dos elementos usados para apontar eventos adversos cirúrgicos são os indicadores, adotados como ferramenta de análise da segurança hospitalar. A equipe de saúde é respaldada e monitorada por estes indicadores de assistência, por revelarem a qualidade assistencial. Os indicadores eleitos como “top notch quality” estão referenciados pela American Nurses Association (ANA) e pela Joint Commission on Accreditation of Healthcare Organizations (JCN).

A partir desses subsídios, os profissionais da saúde podem avaliar a prestação do cuidado, impactando processos e recursos sistemáticos. Além disso, a construção destes indicadores para a avaliação dos serviços de saúde estabelece referenciais de apoio sob o olhar dos diferentes elementos indispensáveis das estruturas institucionais, dos processos de trabalho e dos resultados da assistência à saúde prestada dos quais são resgatados e analisados.

Um modelo de indicadores fundamentais para a prática de cirurgia segura, são os de boas práticas que mensuram aspectos estruturais e de processo cuja influência na segurança do paciente já foi provada cientificamente de forma suficiente. Essa homogeneidade é uma mensuração em sintonia para evolução conceitual da segurança do paciente, com vistas à presença da redução do risco e não a ausência de danos. Uma referência inquestionável para a construção de indicadores de boas práticas é o documento Safe Practices for Better Healthcare (https://bit.ly/2WWQkrm). O Ministério da Saúde, a ANVISA e o Proqualis propuseram recentemente indicadores de processo e resultado relativos às infecções e aos protocolos assistenciais obrigatórios. Atualmente estes indicadores, aliados a outros, tais como a Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) de acordo com a classificação cirúrgica, permitem identificar as taxas de Infecção Hospitalar (IH).

As infecções são as complicações mais frequentes do paciente cirúrgico. Estas complicações infecciosas merecem destaque, pois são uma das principais infecções relacionadas à assistência à saúde no Brasil, assumindo a terceira posição no ranking de todas as infecções em serviços de saúde, compreendendo 14 a 16% daquelas encontradas em pacientes hospitalizados. A ISC (Infecção de Sítio Cirúrgico) consome um percentual acentuado dos recursos destinados da assistência à saúde. Por mais que a eliminação total da infecção no paciente cirúrgico seja nula, uma diminuição na sua incidência para um nível mínimo pode produzir benefícios tanto em comodidade quanto em recursos economizados

REFERÊNCIAS

BORK, A. M. T. Enfermagem de excelência: da visão à ação. São Paulo: Guanabara Koogan, 2003. 220p.

BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo para cirurgia segura. Brasília: ANVISA; Fiocruz, 2013.

GAMA, Z. A. S.; et al. Desenvolvimento e validação de indicadores de boas práticas de segurança do paciente: Projeto ISEP-Brasil. Cad.Saúde Pública. v.32, n. 9, pp:00026215, 2016.

LIMA, A. F. C.; KURGANCT, P. Indicadores de qualidade no gerenciamento de recursos humanos em enfermagem. Rev Bras Enferm.; v. 6, n. 2, p. 234-239, 2009.

MARTINS, Tatiana. Fatores de risco associados à infecção do sítio cirúrgico em pacientes submetidos a cirurgias potencialmente contaminadas: subsídios para a segurança do paciente. 2015. 233p. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Programa de Pós-Graduação em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2015.

Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.