Informática Médica e Anestesiologia

Profissionais anestesiologistas registram uma enorme quantidade de dados fisiológicos, farmacológicos e informações referentes a técnicas anestésicas e assistência ao paciente. Há uma tendência de digitalizar a ficha anestésica e integrá-la ao prontuário eletrônico que é largamente adotado em nosso meio.

Esse processo só é possível através do advento da Informática Médica, uma área complexa em contínua evolução que exige grande interação entre a equipe interprofissional.

Especialistas em Tecnologia da Informação (TI) que atuam na área de saúde são membros fundamentais desta equipe multidisciplinar. Por um lado, devem apoiar às necessidades assistenciais dos profissionais de saúde  em prol a assistência aos pacientes e, por outro, às necessidades administrativas das organizações e gestão de saúde.

Sistemas eletrônicos bem planejados e implementados não só aprimoram a documentação clínica como melhoram a qualidade da assistência e a segurança do paciente. Para isso, a equipe de TI deve valorizar a usabilidade de tais sistemas, no sentido de que sejam intuitivos e fáceis de usar.

Os anestesiologistas devem participar do desenvolvimento, avaliação, escolha e implantação de sistemas relacionados a informações e avaliação de todo período perioperatório.

O registro anestésico no papel foi criado em 1895 pelo médico Harvey Cushing, pioneiro do controle de qualidade em anestesia. Desde então, houve grande crescimento na quantidade de dados em que o anestesiologista devem registrar, associado aos registros incompletos e imprecisos.

O desenvolvimento de registros anestésicos digitais no final dos anos 70 possibilitaram registros mais acurados em comparação com os escritos à mão, no papel. Ainda que nas últimas décadas houve um avanço da capacidade de processamento dos computadores e das fichas anestésicas digitais que possuem inúmeras funcionalidades.

Tais fichas anestésicas podem ser um módulo deum sistema que contém o prontuário eletrônico ou pode ser desenvolvido por diferentes empresas que podem se comunicar, conhecido como interoperabilidade.

A interoperabilidade não só permite que uma aplicação modular comunique-se com o prontuário eletrônico e os sistemas do hospital, como também a integração de dados dos monitores de sinais vitais, aparelhos de anestesia, bombas de infusão entre outros dispositivos eletrônicos.

Portanto torna-se primordial a interatividade e ligação da equipe médica dos anestesiologistas com os profissionais da TI, tornando a assistência e o registro anestésico diferencial e com destaque na prática perioperatoria.


Dr. Marcus Alcadipani

Autor:

Dr. Marcus é Médico Anestesiologista e Analista de Sistemas. Sua linha de atuação atual é usabilidade e apoio cognitivo de aplicativos médicos.

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