Integração Hospitalar: Planejamento escalável

Todo projeto de tecnologia, para ser bem executado, precisa ser bem pensado e planejado. Sobretudo para integrações hospitalares, onde os desafios são maiores por diversos motivos, principalmente quando os centros cirúrgicos estão envolvidos. Neste artigo vamos falar sobre alguns destes desafios e como resolvê-los visando a escalabilidade.

Para desenvolver uma integração consistente, escalável e ágil, é necessário, primeiramente, mapear as pessoas técnicas envolvidas, tais como desenvolvedores de software e TIs responsáveis pela infraestrutura de servidores nos hospitais. Lembrando que um bom trabalho inicia-se com um bom time, dedicado e com pontos de vistas alinhados. A partir disso, é necessário ter um panorama técnico para definir as responsabilidades das equipes e estabelecer a centralização e padrões de  compartilhamento de informações entre sistemas e equipamentos.

É primordial alinhar com a equipe de TI das instituições a importância de um ambiente mínimo para o desenvolvimento de APIs de integração, como acesso a serviços locais, banco de dados e etc. Limitações de acesso por questões legais ou operacionais podem ocasionar prolongamento no tempo de desenvolvimento, revelando a importância das empresas envolvidas disporem de um NDA (Non Disclousure Agreement) assinado, um acordo de confidencialidade de informações e uma política de compliance abrangendo as duas partes.

Tendo isso em mãos, parte-se para o principal responsável por garantir escalabilidade em integrações hospitalares:  o protocolo padrão de comunicação. É neste ponto que a evolução do HL7® FHIR (Fast Healthcare Interoperability) tem revolucionado o compartilhamento de dados em saúde, justamente por ser um protocolo aceito mundialmente e com grande potencial para ser implementado por diversos players, o que torna indispensável a sua utilização..

Todavia, vale ressaltar que é preciso manter agilidade no processo de desenvolvimento e , nesse caso, implementar o HL7® FHIR pode retardar entregas e validações, apesar dele ser o padrão mais aceitável e simples de implementar da HL7®. Para solucionar este problema, primeiramente desenvolve-se a POC (Proof of Concept), uma prova de conceito, que inicialmente não precisa seguir o protocolo. A finalidade é garantir que os sistemas e equipamentos consigam se comunicar e, principalmente, validar os parâmetros, identificadores e fluxo de integração definidos inicialmente. O objetivo crucial é colocar esta POC em homologação e, dessa forma, poder analisar os pontos de instabilidade para então iniciar a evolução rumo ao HL7® FHIR.

As integrações com hardwares são mais complexas do que com sistemas, visto que um dos principais desafios é ter equipamentos compartilhando dados seguindo um mesmo protocolo. No mercado brasileiro esta iniciativa está amadurecendo e alguns fabricantes já seguem o padrão HL7® FHIR.

Há também empresas desenvolvendo equipamentos que atendem a todos os requisitos necessários para serem integrados aos demais sistemas de uma instituição. Embalados pela onda do IoT (Internet of Things), em poucos anos haverá um leque de equipamentos prontos para serem interconectados. Enquanto isso não ocorre, é necessário superar estes desafios com criatividade e fomentar iniciativas em torno da padronização de dados em saúde.

Para conhecer o padrão HL7®  na prática, você pode visualizar um modelo HL7® 2.4 integrado diretamente de um monitor multiparâmetro da marca ProLife, parceira da Anestech, com a plataforma para registro digital do procedimento anestésico, o AxReg.

 

Autores: 

Edilberto Ramos e João N. de Deus


Edilberto Ramos

Autor:

Edilberto Ramos, é desenvolvedor iOS pelo ADA (Apple Developer Academy), Manaus. Atua como gerente de desenvolvimento e integrações na Anestech Innovation Rising.

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