Pilotos, Anestesiologistas e Checklists

Uma conduta padrão adotada por muitos hospitais como um movimento em busca da qualidade assistencial é a adoção de Checklists de Segurança durante o período perioperatório.

Muitos de nós conhecem e se inspiram em formulários usados na aviação, onde o uso de checklists de segurança é obrigatório e usual, com foco em melhor desfecho para todos a bordo. Anestesiologistas frequentemente se comparam com propriedade a pilotos da aviação: A busca de resultados imediatos, o decolar e aterrissar, a margem de erro tendendo a zero, a pressão, etc; tudo remonta ao trabalho dos pilotos. Menos a adoção de checklists, que na verdade deixa a desejar.

Mesmo sendo o checklist de segurança perioperatório um indicador de qualidade, recomendação em todos os níveis de acreditação e comprovadamente ter impacto nos indicadores de resultados, o checklist não é praticado como rotina ou com excelência e até hoje é realizado aquém do esperado em muitas instituições de todo o mundo. Com o passar do tempo fica claro que por melhor que seja a intenção de adotarmos checklists, só o preenchimento deste não seve como indicador absoluto para realmente incrementar a performance da equipe e melhorar o desfecho do paciente.

Os checklists precisam ser bem preenchidos constantemente e terem seus dados avaliados e comparados com os resultados para a mensuração precisa dos processos e ações calculadas para um desempenho melhor. Performance tem qualidade como sinônimo, e qualidade é mensuração contínua de indicadores e análise destes.

Uma das maneiras de se corrigir essa falha na adoção e execução de cheklists e impactar o desempenho de todos os envolvidos assim como o desfecho do paciente, é melhorar a experiência de todos quanto ao ato de realizá-lo. Um estudo da Universidade de Washington comparou o uso de checklists em papel e outros dispostos em uma tela e preenchidos de maneira digital.

Como resultados, o aumento da qualidade do preenchimento do checklist melhorou 86,3%. Antes da implementação do checklist computadorizado, mais de 70% dos formulários preenchidos tinham menos de 75% das questões respondidas de maneira adequada; e depois da implementação do sistema, apenas 0,5% dos casos tinham menos de 75% das questões respondidas.

Em um mundo completamente digital, ações de segurança podem ser totalmente digitais, e ao transformarmos a experiência, temos a chance de melhorá-la e treiná-la para um comportamento que continuamente possa ajudar no nosso.

Essa é saúde do futuro.

 

Veja abaixo como funciona o checklist de segurança do paciente e predição de Tromboembolismo Venoso no AxReg.

 

 

Colaborou com o coteúdo Dr. Marcus Alcadipani, anestesiologista.

Artigo citado no texto:

 2019 Jul 9. doi: 10.1213/ANE.0000000000004328. 
Aviation-Style Computerized Surgical Safety Checklist Displayed on a Large Screen and Operated by the Anesthesia Provider Improves Checklist Performance.


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Autor:

Diogenes é anestesiologista, sócio-fundador e CEO da Anestech Innovation Rising, startup ganhadora de vários prêmios nacionais, investida pelo Laboratório de Inovação do Hospital Albert Einstein - Eretz.bio - e incubada no MIDI Tecnológico ACATE em Florianópolis.

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