Quem cuida da mente, cuida da vida!

Começamos o ano falando de saúde mental e bem estar. E por muitas vezes, na área perioperatória, este assunto acaba não sendo uma das prioridades diante das orientações, exames pré-operatórios, procedimento cirúrgico, anestesia, dita tanto pelos profissionais, como relatada pelos próprios pacientes, que mesmo com a ansiedade “à flor da pele”, optam em focar suas forças na preparação para o procedimento.

O procedimento cirúrgico, ainda que tenhamos as constantes inovações tecnológicas e nível de qualidade das práticas cirúrgicas e anestésicas, se torna um momento complexo e difícil para a pessoa. O período perioperatório, ainda que desafiador ao paciente, traz mudanças comportamentais nos hábitos de vida, riscos intra-operatórios, gerando níveis séricos de ansiedade.

Diversos fatores do ambiente cirúrgico contribuem para estes  agravos como ameaças concretas ou irreais, processo de despersonalização, lacuna de orientações, entre outros. Isso tudo pode resultar em fantasias criadas pelo paciente durante a espera da cirurgia, podendo influenciar no período perioperatório, até mesmo na recuperação tardia, já que o estado emocional influencia no funcionamento do seu sistema imunológico e na própria condição física. Dependendo do nível de ansiedade, muitas cirurgias podem até ser canceladas.

A fase pré-operatória é identificada como o período mais crítico e de vulnerabilidade fisiológica e psicológica, levando a um desequilíbrio emocional. Ainda assim a falta de orientação e de apoio como impeditivos de uma relação terapêutica, geram uma permanência dos pacientes em condição ansiosa e depressiva durante toda a sua internação.

Uma das intervenções em que mais encontramos estes determinantes é na cirurgia cardíaca, na qual revela altos índices de ansiedade no pré-operatório. À própria internação por motivos cardiológicos, mesmo não cirúrgicos, já tem grande repercussão nos níveis de ansiedade, inclusive no período pré-operatório. Já nos casos de pré-operatório de cirurgia geral, a presença da ansiedade e da depressão foram avaliadas em uma taxa de 44.3% e 26.6%, respectivamente.

Quanto à repercussão fisiológica e os impactos destes estados de alteração de humor, ainda na fase pré-operatória, foi realizada uma pesquisa com 45 mulheres em que ocorria um aumento da frequência cardíaca com uma relação intrínseca ao aumento da dose de propofol em comparação a outras pesquisas que apresentaram o mesmo fenômeno. Ainda assim os próprios picos hipertensivos no ato cirúrgico, são fatores de suspensão cirúrgica e em sua maioria estão relacionados com a ansiedade pré-operatória. Identificar a ansiedade, o medo e a depressão nos pacientes na fase pré-operatória imediata, possibilita um planejamento e organização de intervenções ideais que possam melhorar e até mesmo sanar estes domínios, de maneira individual, conforme a necessidade de cada um, e até mesmo em grupos de educação em saúde.

Mas e você, profissional atuante na área cirúrgica também tem cuidado da sua saúde mental?

Para isso, desenvolvemos um material com a Psicóloga Clínica e Hospitalar Maiara Lopes da Luz abordando diversos fatores sobre o cuidado com a saúde mental tanto do paciente, como também de toda equipe multiprofissional na área perioperatória, confere lá:

Aqui você encontra alguns fatores relacionados ao cuidado à saúde mental do paciente que você, profissional pode tornar o processo cirúrgico menos doloroso a ele, só clicar:

Referências:

Gomes ET, Bezerra SMMS. Ansiedade e depressão no período pré-operatório de cirurgia cardíaca. Rev Rene. 2017 maio-jun; 18(3):420-7. DOI: 10.15253/2175-6783.2017000300019

Gonçalves Karyne Kirley Negromonte, Silva Jadiane Ingrid da, Gomes Eduardo Tavares, Pinheiro Liane Lopes de Souza, Figueiredo Thaisa Remigio, Bezerra Simone Maria Muniz da Silva. Ansiedade no período pré-operatório de cirurgia cardíaca. Rev. Bras. Enferm.  [Internet]. 2016 Apr [cited 2020 Jan 30] ; 69( 2 ): 397-403. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672016000200397&lng=en.
http://dx.doi.org/10.1590/0034-7167.2016690225i

Mazzi NR, Tonhom SFR. Refletindo o processo de trabalho no período perioperatório a partir das necessidades do paciente. Rev Bras Promoç Saúde, 31(Supl): 1-10, nov., 2018. Disponível em: https://periodicos.unifor.br/RBPS/article/view/8631


Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.

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