Integração é sinônimo de inclusão e ampliação



Quando falamos que Integração de dados é sinônimo de inclusão e de ampliação estamos dizendo que no mundo atual ou se soma ou se é subtraído. 

A tecnologia atualmente permite uma intensa troca, seja de informações, conhecimentos, práticas, opiniões, entre outros, e para tal, são utilizados diversos meios e canais que se confluem de forma complementar.

Com essa intensidade, rapidez e quantidade de informações gera-se uma maior exigência nos campos de conhecimento, de modo que é praticamente impossível ser bom e dominar todas as áreas, ampliando assim suas ações, agregando e complementando componentes importantes.

No desenvolvimento de tecnologias não é diferente, com a especificidade e complexidade dos sistemas, processos e produtos, cada vez nos especializamos mais em atender um nicho específico. Ao mesmo tempo isso não pode ser limitador – há uma necessidade criada pela globalização de conversarmos entre todos e todas as tecnologias criando uma rede de interoperabilidade entre sistemas, não impondo limite e barreiras, mas sim ampliado as áreas, comunicando-as e criando uma área comum que atende à todas as necessidades. 

Na tecnologia, a integração de sistemas de informação é definida como:

"...engloba sistemas distribuídos (com múltiplos módulos de software) ou heterogéneos para que possam interagir entre si e potenciar a integração de múltiplas aplicações individuais numa única… com planos, métodos e ferramentas para modernizar, consolidar, e coordenar aplicações informáticas dentro de uma organização”

(GASPAR,2015, pg.4)

De modo que as integrações vêm como uma forma de potencializar e comunicar diversas frentes com o objetivo de  reduzir custos, corrigir processos operacionais, melhorar a performance, otimizar os processos e permitir ações de pesquisa e atividades de ensino. 

Quando transpassamos essa realidade para o cenário da saúde todos esses quadros são ainda mais urgentes, pois é uma área de grande valor econômico (custos e faturamentos), possui processos complexos e com uma baixa margem de erro, tem-se ainda dificuldades para analisar performances, fazendo-se então, mais necessários ainda os processos de integração. 

Integração é comunicação e quem não se comunica se isola! Muitos têm a visão de que quando se abre uma tecnologia para integrar com outras, abre-se uma porta de risco, seja para o negócio, para as informações, ou para a inteligência investida. Doce engano, ou melhor: Tudo depende do ponto de vista e de como essa integração é realizada, para garantir a sustentabilidade e segurança das integrações, alguns pontos devem ser atentados:

A proteção das inteligências adotadas por cada parte: em qualquer aspecto de desenvolvimento de tecnologias as proteções intelectuais são um requisito básico para segurança do seu produto, processo ou marca. De modo que deve ser adotada desde a concepção da ideia até sua execução e ampliação, promovendo assim, além de uma relação de segurança com os parceiros, uma proteção legal à produção intelectual de sua tecnologia.

Processos bem estabelecidos: para uma integração bem sucedida é necessário que ambas as partes possuam processos bem definidos de funcionamento, fluxo das informações e das ações de integração, para que assim, seja projetado um plano conjunto de integração, documentado, constituído de etapas, entregas parciais, avaliações, adequações, validações, testes, entrega final e manutenção. Devendo-se considerar fatores como o problema de como representar a informação para sua manipulação computacional, pois a interoperabilidade semântica implica na padronização de vocabulários (realizado através de padrões como CID-10, LOINC, UMLS, SNOMED-CT entre outros), padronização de estruturas para representação dos dados (como HL7, CDA, openEHR, etc.) e a padronização de mensagens entre sistemas (como DICOM, XDS, IHE e HL7).

A parceria, co-responsabilidade e comprometimento de todas as partes envolvidas: a integração só é bem sucedida quando todo processo ocorre de forma fluída e sem interferência em nenhuma das partes, de modo que um “problema” em qualquer etapa é um problema de responsabilidade coletiva, que deve ser também solucionado  coletivamente. 

A garantia de segurança no processo de integração ao objetivo final, ou ao usuário final da tecnologia: o objetivo ou usuário final deve entender claramente como funciona o processo de integração, quais os componentes e as responsabilidades entre as partes, assim como deve prever junto às partes possíveis planos de ação e prevenção no acontecimento de falhas ou intervenções.

Arquitetura que permita escalabilidade de memória: sempre deve ser avaliada a perspectiva de crescimento do fluxo e complexidade de informações de modo que não se torne um problema, ou ainda precise ser totalmente reestruturada a integração. Preferencialmente utilizando múltiplos núcleos de processamento com memória dedicada, e nem precisamos citar que em nuvem!

Manutenção de dados e da integração: é importante instituir uma revisão constante, conjunta (ambas as partes) e individual (do processo destinado a cada parte), que garanta um monitoramento em tempo real e um registro permanente dos dados, passível de recuperação. O indicado é que as plataformas tenham capacidade de rodar múltiplos processos paralelamente e tenham um sistema de recuperação automática.

A ética e segurança dos dados: Devem ser firmados por todas as partes quais os dados que serão integrados, assim como sua exposição e sensibilidade. Criar um banco neutro, que não comunique diretamente os bancos legítimos de cada parte, é primordial, formulando um banco comum, secundário, onde serão acessados, extraídos e alimentados apenas os dados que foram acordados eticamente. Deve-se pensar também em técnicas de criptografia e proteção das informações de modo eficiente, como por chaves de acesso, garantindo o conhecimento e autorização de todas as partes envolvidas e respeitando o Transport Layer Security Protocol (TLS). Não podemos esquecer também de firmar as proteções judiciais por meio de termos de confidencialidade entre as partes e diretamente entre os profissionais (com o projeto ou com as empresas a que prestam serviço).

Potencial de agregamento não seletivo e uma funcionalidade customizável: Atualmente ao desenvolver uma tecnologia já se deve considerar o potencial de integração, de modo que o sistema possa integrar sem tanta burocracia ou readequação técnica, permitindo uma chave de customização para múltiplas integrações do seu sistema, manipulação de múltiplas nuvens, padrão de comunicação adaptável e gerenciar dados de acordo com o fluxo de trabalho e necessidade dos usuários. Evitando tornar seu produto uma “ilha de informação”.

Integrar com tudo e com todos é a perspectiva de um futuro próspero, de dados que têm potencial de se tornarem inteligência, servindo assim de forma inteligente, e não massante, à evolução da ciência, sustentabilidade, humanização do que precisa ser humano e mecanização do que precisa ser mecânico.

Esperamos que esse artigo ajude a levantar uma discussão sobre como são feitas as integrações em sua instituição, a importância delas, qual o potencial de integração de seus parceiros e como você integra seus dados ou protege eles em suas integrações.

Vamos falar mais sobre isso?

No material complementar abordamos como analisar esses pontos em algumas situações: 

  • Gestor de uma instituição que pretende integrar dados de diferentes parceiros;
  • Parceiro que pretende integrar dados com outros;
  • Desenvolvedor de uma solução a que pretende ter a multiplicidade de integrações.

Referências:

SIQUEIRA, Otávio Manoel Pereira; OLIVEIRA, Robert Anderson Nogueira de; OLIVEIRA, Adicinéia Aparecida de. INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE COM A UTILIZAÇÃO DE SERVICE ORIENTED ARCHITECTURE (SOA). JISTEM J.Inf.Syst. Technol. Manag.,  São Paulo ,  v. 13, n. 2, p. 255-274,  Aug. 2016 . Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1807-17752016000200255&lng=en&nrm=iso>. access on  05 Mar. 2020. https://doi.org/10.4301/S1807-17752016000200006.

GASPAR, Ana Elisa de Almeida. Desafios à integração de sistemas de informação: um estudo de caso no setor da banca. 2015. 50 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de GestÃo de Sistemas de InformaÇÃo, Lisbon School Of Economics & Management, Lisboa, 2015. Disponível em: https://www.repository.utl.pt/bitstream/10400.5/10495/1/DM-AEAG-2015.pdf. Acesso em: 05 mar. 2020.

MORENO, Ramon Alfredo. Interoperabilidade de Sistemas de Informação em Saúde. Jornal Of Health Informatics. São Paulo, p. 1-2. jul. 2016. Disponível em: http://www.jhi-sbis.saude.ws/ojs-jhi/index.php/jhi-sbis/article/viewFile/502/268. Acesso em: 05 mar. 2020.


Patrícia Ilha

Autor:

Enfermeira, Mestre e Doutora em Enfermagem com ênfase em novas tecnologias para saúde. Atua na área de tecnologia e negócios em saúde desde 2012, trabalhando nas áreas de Planejamento Estratégico, Desenvolvimento de Produto e Desenvolvimento de Equipes.

           
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