Inteligência Artificial e o Significado para Gestão em Saúde

É impossível não pensarmos que a Inteligência Artificial (IA) está inserida no mundo da saúde. Foi-se o tempo de que era exclusividade dos filmes de Hollywood. Sem dúvidas os algoritmos e a IA somam valores à segurança dos pacientes, gestão de negócios, faturamentos e investimentos. Na saúde isso não é diferente, já que toda a área está sendo reestruturada para que estas tecnologias impactem na diminuição de eventos adversos, custos, melhorias na qualidade em gestão, até mesmo na redução da variabilidade do cuidado.

            Mas além desses benefícios, de certa forma já esperados, no que mais a Inteligência Artificial impacta no mundo digital da saúde? Eis aqui algumas variáveis significativas:

Fonte de informação aos dados do paciente e análise;

Armazenamento de informações de forma estruturada;

Acompanhamento assistencial personalizado;

Integração em rede da equipe interprofissional;

Hospital digital com performance elevada;

Segurança do paciente como cultura organizacional;

Dados do point-of-care auxiliando a gestão hospitalar;

Automatização e unificação das informações;

Diagnósticos interprofissionais com dupla checagem;

Assim, a Inteligência Artificial, por ser um conhecimento inserido em softwares especializados para auxílio aos gestores da organização, redimensiona os processos organizacionais, além de reconhecer padrões, validar estatisticamente, captar e disseminar o conhecimento em todos os níveis através dos sistemas colaborativos – Groupware – viabilizando o processo de tomada de decisão.

“Uma instituição de primeira linha, tem pacientes que recebem um tablet no momento da internação para se comunicar on time com todas as equipes que estão envolvidas com o processo de cuidar dele. E nem por isso, o processo de humanização está defasado. A tecnologia agrega? Sem dúvidas. No cuidado, no tempo de permanência do paciente dentro dos hospitais, mas a gente ainda depende muito do envolvimento das instituições. Da diretoria, do governo, de incentivo para que isso, realmente, se torne uma realidade para todos.”

Já diria o especialista em gestão hospitalar – Roberto Lopes em uma entrevista realizada no mês de julho/2019.

O acesso rápido a informações, através do Google por exemplo, faz com que os profissionais e os gestores encontrem muito ruído ao se dedicarem a sanar dúvidas e questionamentos dos pacientes com credibilidade e confiança. Por isso, aperfeiçoar as novas tecnologias de cuidado por estes novos conhecimentos se faz necessário e a IA viabilizará esta qualidade nas informações em saúde, incrementando a assistência e ao cuidado em saúde.

Em um relatório da Accenture (2019), a IA na saúde é considerado padrão-ouro inserido na tecnologia da informação, pois somente ela é responsável por gerar uma economia de US$ 150 bilhões até 2026. Além disso, é previsto que o crescimento de sua aplicação no mercado de saúde atinja em torno de US$ 6 bilhões até o ano de 2021, representando uma taxa de 40%. No Brasil, segundo a Abimed – Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para a Saúde, a adesão a estas novas tecnologias, como a IA e aos algoritmos, tende a crescer de 5 a 7% só no ano de 2019.

Portanto para o enfrentamento desta transformação digital é fundamental que a gestão hospitalar tenha criatividade e coragem para encarar toda essa enxurrada de informações geradas em banco de dados, fruto do casamento da Inteligência Artificial com a expertise dos profissionais de saúde. Assim tem-se o resultado com bons frutos para agir de forma preditiva, no intuito de qualificar o cuidado com:

– Precisão nos resultados e achados clínicos;

– Identificação dos diagnósticos de doenças e condições dos pacientes;

– Diversidade de opções de tratamentos e terapêuticas;

– Prevenção de erros causados por intervenções humanas.

No Hospital Israelita Albert Einstein, existem equipamentos de imagem capazes de identificar problemas e enviar uma notificação para o operador da máquina, sem intervenção humana. Alguns equipamentos mandam sinais vitais do paciente, como frequência cardíaca diretamente ao prontuário médico. Além disso, pacientes com Diabetes Mellitus recebem mensagem no celular, elaborada por robôs, lembrando-os da hora certa de tomar insulina.

Sendo assim, a tecnologia da informação vem pra trazer agilidade e qualidade na informação para gestão hospitalar. O comprometimento, a capacitação das pessoas envolvidas e o vazamento de dados podem ser o maior entrave e barreira para a implementação da IA e por isso é crucial um bom planejamento e preparação gestacional para diminuir essas “dores” e impactos diretamente nas instituições.

 

Quer saber um pouco mais sobre o processo de integração dos sistemas de informação à instituições hospitalares? Acesse abaixo:

REFERÊNCIAS

Logística Hospitalar e a importância da Enfermagem, 2019. Disponível em: <https://www.pixeon.com/blog/logistica-hospitalar/>.

 

X IT Health Fórum: “Confronto e criatividade são necessários para enfrentar a transformação digital”, 2019. Disponível em: <http://ehealthreporter.com/es/noticia/x-foro-de-it-salud-para-afrontar-la-transformacion-digital-se-requiere-confianza-y-creatividad/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=brasil_sancionada_lei_que_cria_autoridade_nacional_de_protecao_de_dados_i_peru_aprovam_o_documento_tecnico_plano_de_implementacao_do_registro_nacional_do_prontuario_eletronico_i_himss_insider_dados_no_suporte_de_um_modelo_de_pagamento&utm_term=2019-08-27>.

Inteligência Artificial na saúde: reduzindo a variabilidade do cuidado, 2019. Disponível em: <https://www.gessaude.com.br/blog/inteligencia-artificial-na-saude-reduzindo-a-variabilidade-do-cuidado/>.

Saúde: como a Inteligência Artificial pode ajudar os diagnósticos, 2016. Disponível em: <https://epoca.globo.com/saude/noticia/2016/12/saude-como-inteligencia-artificial-pode-ajudar-nos-diagnosticos.html>.

 

 

 

 


Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.

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