Mulheres Anestesiologistas: um mundo delas!



Como já sabemos, a anestesiologia está em constante mudança e crescimento, com a responsabilidade cada vez maior entre as diversas especialidades da medicina, ampliando constantemente sua área de atuação.

O profissional anestesiologista tem uma afeição à tecnologia de ponta, ainda que nada substitua o seu olhar atento à prática anestésica perioperatória, desde o exame físico e análise de resultados de exames laboratóriais e de imagem, até às orientações pós alta hospitalar.

O que poucos sabem é que, estas inovações e avanços não seriam possíveis se não tivesse a paixão das mulheres em se dedicar à ciência e pesquisa na medicina.

Atualmente o papel da mulher nas diversas áreas da saúde, especificamente na medicina, acaba sendo um reflexo das conquistas femininas e do aumento do seu protagonismo na área da saúde, desafiando a sociedade histórica em que somente o homem tinha voz e que poderia exercer a profissão. Em um estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), as mulheres representam a maioria dos médicos no país, entretanto especificamente na área da anestesiologia, este índice é representado por apahenas 34,5%. Precisamos nos perguntar o porquê.

Este desafio e empoderamento feminino na sociedade médica, que somente homens podem ter voz, fez com que mulheres batalhassem e conquistassem seu espaço e valor ao exercer a profissão.

Historicamente temos algumas mulheres que marcaram esta trajetória feminina na medicina e na anestesiologia:

Dra. Elizabeth Backwell

Foi a primeira mulher a ser titulada como médica mundialmente, recebendo o diploma nos Estados Unidos no ano de 1849.

Dra. Leonor Horta de Figueiredo

Foi pioneira em Minas Gerais, sendo a primeira mulher nacionalmente a obter a Titulação de Especialista em Anestesiologia.

Dra. Nádia Maria da Conceição Duarte

Foi a primeira presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA), eleita no ano de 2011, após 22 anos como sócia.

Dra. Maria Augusta Generoso Estrela

Foi a primeira mulher com diploma de medicina no país, no ano de 1881. Mesmo sendo brasileira não conseguiu a titulação nas universidades do Brasil, sendo então certificada no New York Medical College and Hospital for Women nos EUA.

Quanto a rotina de trabalho e suas características, os homens são vistos com níveis maiores de autonomia e controle de riscos, enquanto as mulheres anestesiologistas possuem ainda uma imagem que remete a tendência a uma exaustão emocional, logo a Síndrome de Burnout. Durante a graduação o índice de mulheres suicidas varia de 10.7% a 31.4% com tendência a um aumento ao longo dos anos na assistência médica.

O profissional médico, especificamente os anestesiologistas apresentam maior risco de suicídio, sendo 70% maior nos homens e 250% a 400% entre as mulheres médicas com relação à população em geral. Segundo estudos, as mulheres tendem ao risco devido os conflitos e dilemas vividos entre o trabalho e a família, já que em muitos casos, precisam abrir mão dos cuidados e atenção com os filhos e lar por conta da profissão. Somado a isso, remuneração inadequada e demandas aumentadas, podem ser fatores para tornar insustentáveis a situação, tendo que optar por abandonar a profissão em prol da família e seu próprio bem-estar.

Mas nosso objetivo é apresentar e mostrar o valor que as mulheres têm não só na anestesiologia, mas como em todas as profissões em saúde; destacando o seu diferencial no mercado como sua inteligência, coragem, força, sensibilidade e características próprias que agregam à profissão habilidades humanas fundamentais. Este movimento consistente representa uma projeção de igualdade profissional entre os gêneros, pois no setor saúde a participação das mulheres chega a quase 70%, sendo consideradas como a principal força de trabalho.

Deve-se reconhecer a importância da mulher como ser autônomo, independente e consciente do valor na sociedade contemporânea; somando força com afeto, coragem com sensibilidade e razão com emoção, fazendo com que transformem o mercado e se diferenciem no seu trabalho independente da área escolhida. Além de mães, esposas, cuidadoras, matriarcas, do lar, são mulheres buscando seu espaço na economia, no mercado, nas profissões, com suas personalidades, somando e agregando valor para tornar a assistência e o cuidado anestésico melhor em parceria com todas as classes! 

Portanto neste Dia das Mães que se aproxima, parabenizamos a todas mulheres e mães anestesiologistas: à todas as Marias, Joanas, Christinas, Robertas, Pryscillas e Thelmas, por todos os seus dias.

Foto: Dra. Thelma de Assis.

Depoimento: Dra. Roberta Miranda, mulher, mãe, médica anestesiologista e parceira nossa. Assista:


Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.

           
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