Como implementar a interoperabilidade na saúde?



Em meio a tantos métodos e ferramentas digitais ganhando espaço dentro das clínicas e hospitais, entender os benefícios da interoperabilidade na saúde se tornou uma necessidade e sua aplicação é uma aliada muito valiosa.

Interoperabilidade é a capacidade de diferentes sistemas operacionais trabalharem de forma simultânea e comunicando entre si. 

No setor de saúde, a interoperabilidade possui o importante papel de integrar sistemas para que eles possam operar com mais eficácia entre si, promovendo melhorias no atendimento do paciente e facilidade na rotina da equipe médica e administrativa.

Mas como aplicar a comunicação entre sistemas na sua clínica? Se você tem essa dúvida, veio ao lugar certo.

Neste artigo, explicaremos como implementar a interoperabilidade na saúde, quais são os principais sistemas utilizados para sua aplicação e como superar os principais desafios encontrados na prática. Vamos lá?

 

Como implementar a interoperabilidade na saúde?

 

Escolha da tecnologia ideal

Para conseguir implantar qualquer nova metodologia, é necessário primeiramente dispor da tecnologia necessária para suportá-la.

Então, escolha estrategicamente os softwares que serão utilizados, pois seu funcionamento impactará todas as demais etapas desse processo. Para cada setor e serviço, selecione as plataformas e ferramentas digitais que atendam às demandas clínicas e administrativas específicas.

Durante a seleção, analise minuciosamente as funcionalidades dos sistemas disponíveis: Quais deles contam com a interface mais amigável? Qual é aquele compatível com mais tipos de computadores e sistemas existentes? Qual possui melhor custo-benefício? Esses são alguns questionamentos que podem ajudar na tomada de decisão.

Adequação na cultura da instituição

As transformações necessárias não se restringem somente aos softwares. Pelo contrário, uma mudança na cultura da instituição e consolidação de um tratamento humanizado também são fundamentais para uma interoperabilidade bem-sucedida.

Isso significa realizar o treinamento da equipe médica e administrativa para lidar com os sistemas de forma adequada, certificando-se de que todas as dúvidas foram sanadas antes de colocá-los em prática. Isso irá garantir que a comunicação entre setores realmente será eficaz e evitará erros futuros.

Já a humanização é importante porque cria um padrão de conduta amigável e compreensível durante o atendimento ao paciente. Assim, é possível garantir que a otimização e agilidade de serviços não impactará negativamente o conforto e experiência dos pacientes.

 

Sistemas necessários para implementação da interoperabilidade

Para implementar a interoperabilidade é preciso incorporar protocolos específicos, responsáveis por converter automaticamente os sistemas sem a necessidade de intervenção humana.

Conheça abaixo exemplos de sistemas necessários para aplicação da interoperabilidade na saúde:

 

TISS (Troca de Informação de Saúde Suplementar)

O TISS foi definido como modelo padrão para a troca de informações entre os agentes de Saúde Suplementar e planos de saúde.

Esse padrão segue os critérios de interoperabilidade entre sistemas recomendados pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, e busca reduzir a incompatibilidade de informações passadas aos planos de assistência à saúde privada.

Seus objetivos incluem: registro eletrônico de saúde; uniformização de ações administrativas; financiamento de medidas de avaliação e acompanhamento financeiro e assistencial das operadoras de convênios médicos.

HL7 (Health Level Seven)

O HL7 é um conjunto de normas desenvolvido por uma Organização Desenvolvedora de Padrões (SDOs) internacional sem fins lucrativos.

Esse sistema produz um protocolo para troca, gerenciamento e integração de informações de importância para os cuidados com pacientes, como dados de equipamentos médicos, base de dados e sistemas administrativos.

Estes padrões atuam na camada de aplicação – camada 7 – do modelo ISO-OSI de estrutura de comunicação entre computadores.

PEP (Prontuário Eletrônico do Paciente)

O Prontuário Eletrônico do Paciente é uma ferramenta utilizada para registro e controle digital das informações dos pacientes, que facilita o trabalho da equipe médica, permitindo o aperfeiçoamento do atendimento e a redução de erros.

Sua utilização também contribui para a maior proteção de dados médicos, já que possibilita um armazenamento mais seguro do que aquele feito em papel, e os dados são mais facilmente incluídos nos sistemas interoperáveis.

ERP (Enterprise Resource Planning)

O ERP é um software de gestão usado para integração de atividades de diferentes setores gerenciais e econômicos, como vendas, estoque e recursos humanos, que auxiliam na tomada de decisão mais assertiva pela gestão da instituição.

Esse sistema traz benefícios para a gestão de clínicas e hospitais, como a segurança de dados, controle de estoque e redução de gastos e erros que poderiam afetar o tratamento dos pacientes.

HIS (Hospital Information System) ou CIS (Clinical Information System)

São diferentes abordagens que abrangem sistemas para gestão hospitalar, armazenamento de informações e levantamento da produtividade dos serviços de rotina, garantindo a organização das informações administrativas e dos dados dos pacientes.

Seu benefício inclui a possibilidade de arquivar e monitorar o histórico de pacientes para melhor compreensão do andamento do prognóstico da doença, além de um monitoramento mais preciso de processos clínicos e administrativos.

AXREG (Ficha Anestésica Digital da Anestech

AxReg é uma ficha anestésica integrada que disponibiliza um mapa cirúrgico com os procedimentos agendados, avaliação pré-anestésica e ficha transoperatória, auxiliando o anestesista na melhor tomada de decisão e garantindo maior segurança ao paciente.

Ela facilita o acompanhamento de métricas e apresenta a performance do centro cirúrgico de maneira simples e eficiente, o que ajuda gestores a definir o próximo passo do planejamento.

 

Desafios para implantação da interoperabilidade na saúde

Apesar de muito benéfica, a aplicação da interoperabilidade pode implicar desafios.

Um deles é garantir que os sistemas utilizados estejam de acordo com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), que tem por objetivo restringir a comercialização de dados pessoais sem a autorização do paciente e aumentar a segurança de informações confidenciais.

Outro desafio é aplicar soluções que garantam a padronização necessária para as estruturas de representação e interpretação computacional da informação. Considerando o nível de complexidade e especificidade do vocabulário utilizado no setor da saúde, o desenvolvimento desses padrões requer um trabalho lento e minucioso, levando mais tempo até sua adoção.

Fato que é que os benefícios da interoperabilidade na saúde para as instituições e pacientes superam as barreiras impostas por seus desafios, sendo esse um esforço que vale muito a pena ser feito.

E já que estamos falando sobre sistemas tecnológicos na saúde, veja em nosso blog os benefícios ao implementar tecnologias para anestesistas.


           
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