O impacto das ferramentas digitais na saúde dos anestesiologistas



O anestesiologista é visto – e com razão – entre todas as especialidades de saúde, como essencial nas práticas médicas. Isso porque ele (a) é aquele (a) que vivencia o cuidado em saúde do paciente em diferentes circunstâncias. Não está presente somente em procedimentos cirúrgicos, mas também na realização de exames, procedimentos ambulatoriais, consultas e atendimentos de diversos segmentos da área. Diante do alto grau de importância é depositado também um alto nível de exigência na sua atuação. E no dia a dia a pressão da própria função acarreta num elevado nível de estresse.

Devido ao elevado índice de estresse, a taxa de suicídio entre os anestesiologistas requer atenção. No post Setembro Amarelo: Suicídio na Anestesiologia apresentamos duas pesquisas recentes que apontam possíveis causas para o alto índice de suicídios e transtornos mentais nessa área da saúde. Uma das causas que tem ganhado destaque não somente dentre os profissionais da saúde, mas também de outros segmentos é a Síndrome de Burnout (SB).

Esta síndrome está diretamente associada à atuação profissional, alta exigência, acúmulo e multiplicidade de funções, jornadas duplas e sobrecarga de trabalho (reconhece essa rotina?) Identificada pela exaustão emocional, despersonalização e diminuição da própria realização pessoal esta doença é comum na área da saúde, pois envolve relacionamento humano, produtividade, reconhecimento profissional e um desgaste a ponto de gerar frustração profissional. Todos estes fatores têm como consequência direta no atendimento do paciente, na qualidade no trabalho, no próprio relacionamento entre os colegas da equipe, e através desta falta de energia e acreditação do seu potencial, podem levar a erros danosos a todos os envolvidos. 

Na área da anestesiologia a identificação da SB tem despertado maior preocupação na saúde ocupacional desta especialidade médica. Outros fatores estressores são: problemas de comunicação e problemas clínicos; normas de trabalho; problemas relacionados ao padrão (organizacional) do trabalho; responsabilidades administrativas; exigência nos registros de dados. Todas essas situações interferem na imagem do profissional e às vezes podem resultar em abandono da carreira, aposentadoria precoce e, em casos extremos, processos cíveis ou criminais que podem até levar ao suicídio.

Um fato importante é que não é preciso o profissional aparentar desgaste físico e emocional para que ocorra alguma tentativa de suicídio. Segundo a matéria no portal de Drauzio Varela, pelo fácil acesso a medicamentos e o conhecimento da combinação dos mesmos, muitos anestesiologistas que não aparentavam qualquer comportamento visto como suicida, chocaram colegas e familiares com a notícia.

A tecnologia como aliada da saúde mental dos anestesiologistas

Neste post, queremos trazer uma abordagem diferente, pensando em possíveis soluções para diminuir ou, pelo menos, amenizar o estresse sofrido pelos profissionais com o uso da tecnologia!

Em 2018, houve um aumento de 13,5% no consumo de tecnologia médica, chegando a uma previsão de crescimento de 5 a 7% para 2019. Em 2020, nenhuma previsão poderia imaginar a pandemia da Covid-19, e com isso o consumo de tecnologia médica sem dúvida duplicou (ABIMED, 2019). Estas ferramentas digitais possibilitam o registro anestésico com segurança, a qualidade e a precisão de dados, análise criteriosa para o planejamento anestésico e histórico clínico de maneira dinâmica e em tempo real, otimizando a tomada de decisão e previsibilidade do anestesiologista (SBA, 2019).

“O mundo está mudando. E rápido. O workflow do anestesiologista está sendo impactado por novas tecnologias disponíveis e pela necessidade de um aumento significativo na segurança dos pacientes e dos profissionais. Como será o trabalho do anestesiologista no futuro próximo? Qual será nosso papel junto às instituições onde trabalhamos? Como ressignificar o cotidiano anestésico frente ao novo mercado tecnológico que bate à nossa porta?”

Diogenes Silva

Diante dessa realidade temos que pensar como toda esta transformação digital na assistência anestésica pode impactar e influenciar no trabalho do profissional, e também na saúde mental dos anestesiologistas.

Interface AxReg

A inovação em saúde, somada à tecnologia busca sanar as dores processuais, assistenciais e individuais para o enfrentamento destes percalços que acometem o trabalho do anestesiologista. E investir em ferramentas digitais é mais que essencial, é requisito para manter qualidade e diferencial no trabalho deste perfil profissional, além de garantir a saúde dos anestesiologistas para excelência anestésica.

O fundador e CEO da Global Futures – Dr James Canton, já anteviu que ao analisar o futuro da medicina, existirão tecnologias-chave para o ramo e que elas farão parte da convergência estratégica que transformará a civilização nos próximos 100 anos. Uma delas será a tecnologia da informação. Segundo ele, através destas tecnologias em saúde será possível evitar doenças ocupacionais, melhorando o desempenho da saúde, até mesmo dos profissionais.

A Anestech traz na sua essência o uso de tecnologia e informação para inovar e facilitar o trabalho dos anestesiologistas. Ajudando pacientes e profissionais em momentos críticos, nossas soluções fazem a integração, o rastreamento, a análise e a entrega de dados em tempo real, através de business intelligence em nuvem de dados e aplicações dedicadas para mobiles na sala de cirurgia.

Agora, conte pra gente, como você tem vivenciado e enfrentado estas mudanças tecnológicas em sua prática profissional? Como as plataformas digitais estão auxiliando na sua jornada de trabalho? Deixe nos comentários dos posts nas nossas redes.

 

Para saber mais sobre algumas ferramentas e softwares disponíveis no mercado, acesse este link.

Referências:

ANESTECH. Impacto da saúde digital para a Anestesiologia. 2019

SECAD. Artmed. Saiba como a tecnologia pode otimizar a prática diária de anestesiologistas. 2019.

FOLHA VITÓRIA. Revolução na medicina: tecnologia traz inovações ‘do futuro’ para a saúde. 2019.

GUPTA, Pratyush; MOORE, Roger; DUVAL, Gastão F.. Bem-estar ocupacional em anestesiologistas: sua relação com a metodologia educacional. Rev. Bras. Anestesiol.,  Campinas ,  v. 65, n. 4, p. 237-239,  Aug.  2015.

Tatiana Martins

Autor:

Tatiana é enfermeira, Mestre em Enfermagem e Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina (PEN/UFSC). Sua linha de pesquisa está voltada para a área cirúrgica, enfocando os cuidados preventivos às infecções hospitalares, visando a segurança do paciente.